O conceito de ética nos dá a noção de que ela existe a fim de nortear o comportamento humano na sociedade, sendo, portanto, tida como base para várias outras áreas do conhecimento, universalizando os princípios éticos e gerando padrões para o bom funcionamento social. Dessa forma podemos citar algumas áreas do conhecimento que se interrelacionam com a ética, a fim de viabilizar a aplicação de suas normas e a tomada de decisões.
O direito, por exemplo,é
essencial à vida em sociedade: ao definir os benefícios e obrigações entre as
pessoas e ao resolver os conflitos de interesse, sendo o direito civil usado
como base para todas as outras leis. As regras do direito têm caráter
obrigatório e, quando desrespeitadas, dão origem a penalidades para coagir os
homens e reprimir novos atos da mesma natureza. Essas regras do direito e seus
códigos possuem brechas de interpretação, pois esta não é uma ciência exata, sendo
a jurisprudência ‘common law’ usada
em muitos casos para se preencher tais lacunas. Dessa forma, a ética norteia a
interpretação e análise de juízes ao julgar cada caso e suas peculiaridades.
Elaborados desta forma, os conceitos em direito evoluem a cada caso,
facilitando sua aplicação e tomada de decisões de uma forma mais ética. ((Como você deve saber, o direito se limita a barreiras
geográficas. Você acha que em casos extremos, como guerras ou repreensões em
massa, outros países poderiam/deveriam “quebrar essas barreiras” e interferir
na situação a fim de promover o cumprimento da ética em outros povos?))
Na religião também temos presente esta
interdisciplinaridade, tanto do ponto de vista em que a ética defende a
sacralidade da vida, mas deve respeitar as convicções religiosas de cada
indivíduo, ou até o limite de seu âmbito familiar. ((Discussão: Num caso de acidente veicular, no setor de
urgência de um hospital, em que o acidentado, não identificado, perdeu muito
sangue e precisou de uma transfusão imediata para preservar sua vida. No
entanto a família da vítima chega ao hospital após algumas horas e avisa que o
paciente não poderia receber sangue por ser um procedimento contra suas
crenças. O que você acha que os profissionais deveriam ter feito e o que devem
fazer em seguida? Comente!!!)) E por outro lado, numa perspectiva
não-religiosa, os indivíduos participantes ou não de qualquer crença devem
respeitar e obedecer aos fundamentos éticos, inclusive se houver discussões
sobre políticas envolvendo saúde de modo geral. Ou seja, cidadãos de uma
sociedade devem exercer as leis de um país ou região, independentemente de
religião, de forma laica. ((Você acha que sua religião/ceticismo
pode interferir em alguma legislação com relação à saúde no país? Os assuntos
do momento são “Legalização do Aborto” e “Eutanásia”. Deixe sua opinião!!!))
Há
também interrelações com a moral que, muitas vezes tem seus princípios entrelaçados
com com a própria definição de ética. Mas em vez de ser um bem-comum acordado
com objetivo de garantir o convívio aceitável, é um conjunto de costumes e
valores de uso individualizado que geram um comportamento orientado para uma
boa vivência social. Além disso, a moral é capaz de ultrapassar barreiras
geográficas e certificar uma identidade única entre pessoas que utilizam de uma
mesma referência moral e é dependente de um convívio social e pode ser
independente do direito.
A moral também se relaciona de maneira tênue com o direito. Isso porque muitas vezes nem tudo que é permitido por lei é moral, e nem tudo que é moral é resguardado pela lei. Apesar dessas duas existirem somente em sociedade e da moral ter sido base para a elaboração de muitos princípios jurídicos, a moral e o direito podem se opor perante algumas situações. O direito pode se mostrar mais forte em relação a moral devido às penalidades legais relacionadas ao descumprimento da lei. ((Ditaduras, militares ou esquerdistas, são temas que podem ser alvo de grandes discussões. Em que pontos, mesmo dentro da lei, são imorais? E por que, nesse caso a moralidade não poderia/deveria ser sobressalente ao legislativo e executivo? Comente!!!))
Portanto, o conhecimento da ética, direito e moral se torna extremamente importante para a tomada de decisões na sociedade em que vivemos. Essas áreas do conhecimento se relacionam em muitas situações, mas elas podem também se sobrepor em muitas outras, causando um conflito de princípios e podendo influenciar de maneira negativa na sociedade e em tomada de decisões.
hahaha muito boas as charges. Principalmente a ultima rsrs
ResponderExcluirValeu, irmão!!!
ExcluirAs diferentes visões e a grande interdisciplinariedade da ética com outros assuntos como nas discussões de Leis, na religião, política e na saúde são assuntos pertinentes e no meu ponto de vista pouco discutidos. Ótimo texto e parabéns pela iniciativa!
ResponderExcluirPenso que este texto aproximou-se do debate sobre Bioética para a área da Educação. Os termos usados são familiares para mim e pelo o que pude abstrair da informação a Bioética tem como propósito avaliar os impactos das pesquisas, sobre a vida em toda complexidade.Assim, considerado relevante para a área da educação, o impacto das pesquisas em biologia sobre a visão de ser humano e seu desenvolvimento.
ResponderExcluirAmpliar esse assunto, ao mesmo tempo em que o expoem de forma sucinta e objetiva, mostra a competência dos envolvidos na produção do texto.
Difícil opinar sobre os assuntos propostos... todas as respostas possíveis requerem que se estabeleça alguma prioridade em detrimento de coisas também muito importantes! Bom, então, sem tomar muito partido, aí vai minha contribuição:
ResponderExcluir- para aproximar da nossa realidade, vou mudar o exemplo: pode o homem branco intervir em tribos indígenas isoladas que mantêm o infame hábito de anteciparem a sina das crianças que nascem com algum tipo de deficiência? Nesse caso, que é muito debatido, temos o valor da vida em contraposição ao valor da cultura e, em determinada proporção, ao valor da dignidade do ser humano. Não basta apenas tornar “indisponível” o direito à vida e proclamar sua defesa de forma descuidada. Uma violação a preceitos culturais sobremaneira enraizados em uma sociedade que, diga-se de passagem, já sofreu o suficiente nas mãos dos “caras pálida”, pode provocar comoção que venha a afetar o próprio sentimento de dignidade dos lesados pela intervenção. A dignidade vale mais que a vida? Ou o contrário? A mesma questão se aplica ao tema proposto. E a resposta, como é visível, é muito subjetiva.
- nesse caso, entra a questão do que se chama de “autonomia privada”. A própria palavra “autonomia” (Auto = próprio; Nomos = norma) explica a expressão: trata-se da capacidade de cada pessoa de tomar suas decisões, de ditar suas normas, de dispor do que lhe pertence da forma como lhe convier. Em contraposição à autonomia da vontade, temos a heteronormatividade, que é a estipulação de normas por alguém alheio ao destinatário destas regras. No caso em tela, se o médico decide salvar a vítima, estará violando a autonomia da vontade do sujeito. Caso decida deixá-la optar pelo óbito, estará priorizando sua autonomia em detrimento de sua vida. Novamente tem-se que decidir por prioridade: a vida ou a dignidade?
(continuação)
ResponderExcluir- o Brasil é um país “plurinacional”. As várias etnias e povos que deram origem a nossa nação nos conferem, certamente, uma das maiores diversidades culturais ao redor do globo. Tamanha é essa variedade que a própria Constituição, a Lei Maior, prevê expressamente a liberdade de expressão, de culto e o respeito aos costumes de cada setor social, de forma a assegurar que determinado grupo não subjugue outro de menor volume. A isso se deve, também, a laicização do Estado, que, perante tantas crenças e dogmas, adota uma postura neutra perante todas elas. Ou pelo menos deveria ser assim.
O predomínio cristão no país leva, por vezes, o Estado a proteger valores relativos a apenas esse grupo. É o caso, por exemplo, do famigerado aborto. Sua legalização é um tabu colossal, muito em função da oposição cristã a esse tipo de prática. Em função da própria estrutura do Estado, creio que também os cidadãos devem segregar sua consciência pública e privada. No âmbito público, não parece adequado que se imponha, à custa muitas vidas, determinados valores a pessoas que não compartilham desses ideais. As minorias, com todos os seus direitos e convicções, devem ser ouvidas e respeitadas. No âmbito privado, cabe a cada um eleger sua forma de viver e de interpretar o mundo. Cabe a cada um definir sua moral e seus limites éticos sem, no entanto, querer fazê-los valer na vida pública, que está repleta de visões distintas sobre assuntos variados. Não deve, portanto, haver interferência de religiões e dogmas na estrutura do Estado, nem tampouco na estipulação de suas leis.
- a imoralidade maior, ao meu ver, reside no fato de haver um governo que imponha a vontade de uns poucos a todos os demais. Está aí o cerne da imoralidade ditatorial, seja ela socialista ou fascista.
Se, no entanto, se puder ver alguma forma de justiça nessa forma de controle, cabe a cada indivíduo avaliar suas prioridades e optar por um dos dois polêmicos regimes. Se o sujeito tem simpatia pela igualdade de todos na sociedade e pensa que deve haver controle do Estado sobre as rédeas do mercado, certamente fará opção por algum governo de esquerda. Se, no entanto, aprecia mais a liberdade comercial e o mérito como parâmetro para a aquisição de bens e privilégios na sociedade, deverá pender para um governo mais à direita. Novamente, a resposta é muito subjetiva, dependendo do senso moral de cada avaliador.
Espero ter ajudado para enriquecer, de alguma forma, o debate!
Danton Boechat