Após denúncia de maus-tratos, grupo invade laboratório e leva cães beagle
Ativistas invadiram laboratório de pesquisa em São Roque nesta sexta (18). Empresa alega que realiza testes dentro de normas e exigências da Anvisa.
Veja reportagem na íntegra, disponível no g1.globo.com e deixe sua opinião sobre as questões levantadas no fim da publicação
Dezenas de ativistas derrubaram um portão e invadiram, por volta das 2h desta sexta-feira (18), o laboratório do Instituto Royal, em São Roque, a 59 km de São Paulo. Eles levaram em carros próprios dezenas de animais que estavam no complexo, segundo a Guarda Municipal da cidade e a Polícia Militar, motivados pelas suspeitas de que os bichos sofriam maus-tratos no local.
Os manifestantes acusam o instituto de maltratar cães da raça beagle usados em pesquisas e testes de produtos cosméticos e farmacêuticos, além de usar no trabalho também coelhos e ratos. Segundo os ativistas, uma denúncia anônima havia alertado que os cães estariam sendo sacrificados desde as 14 de quinta (17) com métodos cruéis e que os corpos estariam sendo ocultados em um porão.
Ao Bom Dia São Paulo, o Instituto Royal afirmou que realiza todos os testes com animais dentro das normas e exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que a retirada dos animais do prédio prejudica o trabalho que vinha sendo realizado. Segundo o laboratório, que classificou a invasão como ato de terrorismo, a ação dos ativistas vai contra o incentivo a pesquisas no país.
Em 2012, apos receber uma denúncia contra o Instituto Royal, o Ministério Público de São Roque abriu uma investigação, ainda não concluída. "Foram feitas duas visitas. Uma delas por uma veterinária de uma organização internacional. Na época, nenhuma irregularidade foi encontrada", disse o promotor Wilson Velasco Júnior.
De acordo com ele, as pesquisas eram de empresas de cosméticos, mas a lei permite que os clientes do laboratório sejam mantidos em sigilo. Velasco Júnior afirma que a prática de vivissecção – a dissecação de animais vivos para estudos – é autorizada.
Boletim de ocorrência
De acordo com o delegado Marcelo Sampaio Pontes, foram lavrados na manhã desta sexta dois boletins de ocorrência. O primeiro deles é por maus-tratos, em que uma integrante do Movimento Frente Antivivisseccionista do Brasil afirma que foram ouvidos "vários gritos de cães" no local, que indicavam que "indicavam que os animais estavam sendo submetidos a tratamentos cruéis" e que "sentiam muita dor". Segundo ela, os gritos dos cães eram ouvidos quatro vezes ao dia.
De acordo com o delegado Marcelo Sampaio Pontes, foram lavrados na manhã desta sexta dois boletins de ocorrência. O primeiro deles é por maus-tratos, em que uma integrante do Movimento Frente Antivivisseccionista do Brasil afirma que foram ouvidos "vários gritos de cães" no local, que indicavam que "indicavam que os animais estavam sendo submetidos a tratamentos cruéis" e que "sentiam muita dor". Segundo ela, os gritos dos cães eram ouvidos quatro vezes ao dia.
O segundo boletim de ocorrência é de furto qualificado, com base no relato dos policiais que acompanharam a manifestação e a invasão no instituto. Segundo eles, ao chegarem no local o prédio já havia sido invadido por cerca de 30 pessoas. Em seguida, outras 50 entraram. Os policiais disseram que dependências do estabelecimento foram depredadas e que cães ali mantidos foram subtraídos. Eles afirmaram ainda que não houve agressões por parte dos manifestantes contra seguranças do local.
A patrulha afirmou ainda ao delegado que "várias pastas contendo documentos, bem como computadores medicamentos e placas de acrílico contendo o que parecem ser testes foram recolhidos e apresentados pelos policiais". Um advogado e representante do Instituto Royal acompanhou o registro do boletim.
Segundo o delegado Pontes, a polícia faz uma perícia no local ainda pela manhã. Ele disse que a única coisa comprovada até o momento é que os cachorros foram furtados.
Mais de 200 animais
Manifestantes disseram que o laboratório tinha mais de 200 animais. O protesto que reuniu cerca de 120 pessoas no local teve início às 20h de quinta, ganhando maior adesão no fim da noite. Os ativistas ficaram em frente ao prédio durante a madrugada, quando houve a invasão.
Manifestantes disseram que o laboratório tinha mais de 200 animais. O protesto que reuniu cerca de 120 pessoas no local teve início às 20h de quinta, ganhando maior adesão no fim da noite. Os ativistas ficaram em frente ao prédio durante a madrugada, quando houve a invasão.
Segundo relatos dos ativistas, foi possível ouvir latidos supostamente de dor de cães. No fim da noite de quinta, a Polícia Civil de São Roque informou que registrou boletim de ocorrência sobre a denúncia de maus-tratos.
O protesto acontece desde sábado (12), mas ganhou adesões nesta quinta por causa de boatos de que a empresa estava preparando a retirada e o sacrifício dos animais, depois que três vans e um caminhão de pequeno porte entraram no laboratório durante a tarde. Os manifestantes cercaram o complexo e tentaram vistoriar veículos do laboratório. Houve um princípio de confusão porque um dos motoristas da empresa se negou a abrir o carro.
Uma reunião estava marcada para o fim da tarde de quinta-feira, com a presença de ativistas dos direitos dos animais, funcionários da prefeitura e representantes do laboratório. O encontro foi cancelado porque a empresa informou que, por segurança, não mandaria um representante.
O promotor Wilson Velasco Júnior afirmou que, em reunião com representantes de ONGs na quarta-feira (16), orientou para que os ativistas não invadissem o laboratório. "Quando eles invadiram e depredaram o laboratório eles destruíram provas", afirmou. "É primordial neste momento encontrar esses cães e apurar se eles podem causar algum dano à saúde de outros animais e das pessoas. Também precisamos examiná-los para saber se foram vitimas de maus tratos", completou o promotor.
Nota de esclarecimento
A empresa Royal Canin, multinacional de origem francesa que fabrica alimentos para animais domésticos, divulgou uma nota na manhã desta sexta-feira (18) informando que, apesar da similaridade entre os nomes das duas empresas, não possui qualquer relação com o Instituto Royal. [...]
A empresa Royal Canin, multinacional de origem francesa que fabrica alimentos para animais domésticos, divulgou uma nota na manhã desta sexta-feira (18) informando que, apesar da similaridade entre os nomes das duas empresas, não possui qualquer relação com o Instituto Royal. [...]
Você se lembra desse polêmico caso ocorrido em Outubro de 2012? Ele se enquadra em um assunto controverso eternificado em comitês de ética e no meio da população em geral. Nós do Biometicamente gostaríamos de saber sua opinião sobre essas questões.
Seria esse tipo de pesquisa um mal necessário, em que o objetivo de estudos como esse é favorecer o bem-estar do ser humano de uma forma geral? Os pesquisadores estavam em vigor com as leis e regulamentação no Comitê de Ética na Utilização de Animais (CEUA www.comissoes.propp.ufu.br/CEUA) e ANVISA, mas até que ponto é aceitável o sacrifício de bichos inofensivos para produção de cosméticos ou introdução de novos medicamentos?
Você acha que pesquisas para produção de fármacos e cosméticos deveriam ser realizadas com animais (camundongo, cães, macacos)?
O uso de animais em pesquisa é inevitável. Nós precisamos deles para alcançarmos importantes avanços na ciência. Concordo que o teste de cosméticos não seja de tamanha importância como por exemplo, teste para medicamentos. Portanto, neste caso, acredito que o uso de animais (inofensivo ou não) deva ser restringido, não abolido. É claro que a legislação deve ser observada, e portanto, o bem estar dos animais deve ser garantido e o sofrimento amenizado sempre que possível.
ResponderExcluirA pesquisa em animais é um passo inevitável na evolução da medicina. Antes de testarmos qualquer fármaco em seres humanos precisamos de resultados positivos "in vivo" para evitar um dano catastrófico à saúde de uma pessoa. Existe um regimento extremamente rigoroso em relação ao tratamento que os animais são submetidos durante a pesquisa então não acredito na tese de mals tratos. Considero que a invasão foi um ato infantil e infeliz de pessoas que nunca se envolveram com pesquisa para saber o mínimo de como um trabalho sério é realizado. Penso também quanto trabalho e dissertações e teses foram destruídos por um grupo de pessoas totalmente ignorantes ao assunto.
ResponderExcluirOs teste em animais são validos, mas é necessário que se mantenha a dignidade dos mesmo durante os testes !
ResponderExcluirAcho que deveria haver uma fiscalização rigorosa nos testes feitos em animais, pois é sabido que muitos procedimentos podem ser feitos de maneira cruel. O ideal seria instruir os profissionais e fiscalizar para que não haja tortura com os animais.
ResponderExcluirPara que os profissionais se submetam aos procedimentos necessários, penso que estes só o fazem quando são instruídos e muito bem orientados de acordo com a ética e legislação estabelecidas. Sou favorável à preservação da vida e entre sacrificar um animal irracional para zelar pela integridade do animal racional, faz-se necessário os procedimentos fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa. Para evitar esses vandalismos/terrorismos, penso ser imprescindível um esclarecimento, à comunidade, dos procedimentos realizados à luz da legislação. A população peca pela ignorância e é, consequentemente, mal-compreendida.
ResponderExcluirSe não houver um compromisso ético por parte do profissional, o juízo é pessoal e não coletivo!
ExcluirSe não há outra solução, o sacrifício de animais é, sim, um mal necessário. Os ativistas, provavelmente, já comeram carne em algum momento da vida e não sentiram pesar. Por que os mesmos não protestaram em frigoríficos ou abatedouros.
ResponderExcluir...?!
ExcluirSe eu me preocupo com a integridade da vida de certos animais, por que não me importo com outros? A população se alimenta, majoritariamente, de carne e até Jesus alimentou uma grande multidão com pães e peixes. Eu não vejo problemas extremos em utilizar e sacrificar animais, desde que haja um propósito, seja para consumo ou para estudos. Do contrário, eu seria hipócrita, hoje, em me beneficiar de um simples analgésico, já que, certamente, ele foi testado em animais e humanos no passado!
ResponderExcluirVejo uma atitude necessária quando se trata de pesquisas a favor de novas descobertas, onde estudos irão comprovar e desenvolver resultados que possam e provavelmente serão benéficos aos seres humanos. A própria ciência tem mostrado há anos que somente depois da efetiva reação favorável realizada em animais, poderiam comprovar a utilização em humanos. O que precisamos denunciar, são as matanças clandestinas que acontecem às escuras, para enriquecer quadrilhas especializadas no contrabando de espécies e/ou seus órgãos, penas ou peles. Deveria sim ter uma fiscalização mais efetiva na busca e apreensão destes abatedouros irregulares e clandestinos.
ResponderExcluirPara avanços na Ciência é necessário/inevitável o uso de animais. Ainda não existe tecnologia avançada o suficiente, nos dias atuais, que consiga simular de maneira minuciosa e efetiva o suficiente as relações celulares complexas que ocorrem em tecidos e órgãos humanos; e o estudo em animais possibilita isso. Existem leis e regimentos rigorosos para que tudo ocorra de maneira favorável tanto para animais, quanto para seres humanos. Cabe, nesse caso, rever se a fiscalização quanto a legislação que permite o uso de animais está sendo realizada de maneira efetiva. Vale ainda ressaltar, que o uso de animais em pesquisa não beneficia apenas seres humanos, mas ela também trabalha em prol dos animais.
ResponderExcluirNão dá de aceitar que a população, que é leiga para os assuntos de genética tome uma atitute tão extrema sem nenhuma preocupação com os possíveis riscos associados em dispersar estes animais que estavam sendo submetidos aos testes. Cabe aos órgãos competentes fiscalizarem o que está sendo realizado nos laboratórios, não a população.
ResponderExcluirA pesquisa com animais é uma ferramenta muito forte para testar medicamentos, portanto da mesma forma que áreas de mata virgem são desmatadas para dar lugar a rodovias. É uma questão de custo beneficio, não uma questão de certo ou errado. Até onde que é benéfico realizar estas pesquisas que deveria ser fortemente discutido.
ExcluirEu amo animais, principalmente os cães. porém acho extremamente relevante usar os animais para experimentos, que devem ser feitos tanto no homem quanto nos animais. Se podemos usar cães e outros animais para serviços caseiros e até para alimentação, por quê proibir o seu uso para o estudo?
ResponderExcluirPenso que o tratamento que os animais tem enquanto são cobaias, pode ser repensado. Manter os cães em espaços sujos e mal cuidados, não justifica.
Gostei muito do texto e do espaço oferecido para debate.
Não concordo muito com testes de produtos em outros seres vivos. Talvez seja em função dos maus tratos e maldade com os animais. Acredito que se o produto tem a finalidade para uso em humanos, os animais (em especial canídeos) não têm a ver.
ResponderExcluirNão gosto de pensar no sofrimento dos deles. Penso muito no cuidado, alimentação e condições em geral, às quais são submetidos durante o processo das pesquisas.
Entretanto, o que os resultados muito positivos dos testes me apresentam, é que vale a pena esse método. O que é testado em animais influencia diretamente nas respostas que os humanos terão futuramente.
Sendo assim, minha conclusão é que, mesmo dentro de um dilema, concordo com os testes desde que os animais sejam tratados adequadamente, não somente como fonte de pesquisa.